Quem não lembra do início da Internet no Brasil? A perspectiva que a Internet traz começou pequena, com poucas pessoas que participavam de fóruns de discussão, blogs e grupos virtuais. Ainda hoje não estamos com todo o potencial, mas já temos por exemplo o regime político do Egito e de outros países árabes, que caíram por causa de ações nas redes sociais. As sementes da mudança já estão aparecendo, a empresa do futuro precisa ser parecida com um quarto de adolescente: com Internet, Facebook, Instagram e Youtube.

O futuro do Marketing das Redes Sociais será o de gerenciar as grandes redes de consumidores, redes humanas que usam a Internet para fazer valer o seu direito e para expressar a sua real necessidade. As empresas precisam se transformar em uma grande rede social produtiva que gere valor para toda a sociedade, atenda ás novas demandas de um consumidor cada vez mais conectado e que volte também em valor para a empresa.

A visão de empresa que temos hoje não poderá mais existir, ela vai ter que se refazer. Ainda estamos em uma fase de transição, mas já podemos ver um futuro aonde as empresas não estarão mais tão presas á hierarquias e departamentos fechados. A Euquipe e o Eulaborar precisarão dar espaço ao Colaborar.

Esse colaborar não significa apenas uma reestruturação e mudança da cultura empresarial, mas também um abrir de fronteiras tão significativo, de tal maneira que o cliente se torne um integrante da empresa e faça parte de suas decisões. As empresas vão precisar se “Facebookar”, e não por ferramentas das redes sociais, mas por uma mudança de postura. O profissional de marketing vai gerir essa grande comunidade onde empresa e cliente produzem juntos para o bem comum.

As empresas ainda temem mudanças e querem mesmice. Não teremos uma ruptura instantânea. Lentamente o antigo pessoal do Marketing vai ser substituído por essa geração que vive o Marketing Digital. Infelizmente, as faculdades de Marketing ainda ensinam coisas que já não cabem em nossa realidade, mas até a maneira de ensinar e de aprender Marketing já começou a passar por uma transformação.

Ainda muitos dos gestores antigos continuam relutantes á mudanças drásticas; mudanças que geralmente são fantásticas e cheias de inovação. Mas temos que ter paciência, afinal, não podemos ser tanto á tecnofobia, nem tanto para idolatrar a tecnologia. Tecnologia sozinha nunca terá mais valor do que as boas ideias.

A estrada tem que ampliar para usarmos os pontos fortes de cada coisa. Tanto faz se lemos um livro ou E-book, a ideia ou o conteúdo é o que prevalece. O critério de desempate entre comprar o E-book ou o livro de papel é a praticidade, preço e facilidade de acesso. O grande ganho que a Internet trouxe para a sociedade é o fato de ter aumentado, e muito, o acesso á informação; aumentando também as possibilidades criativas e a produção para as mais variadas demandas, que estavam antes desatendidas pelos veículos de massa.

Quando não existia Internet, éramos obrigados a aceitar e receber como verdade apenas as notícias e informações vindas, por exemplo, da TV e do rádio. Eram poucas as pessoas que decidiam o que mostrar e o que esconder, o que frisar, o que defender e o que atacar; decidiam o que e como informar para a grande massa da população. Hoje a audiência dos veículos de massa caiu drasticamente, afinal, com a Internet, cada pessoa individualmente tem o direito de ver o que e quando quiser e escolher, sozinha, que tipo de informação é útil ou deve ser considerada irrelevante para os seus interesses.

Os antigos filtros dos “donos da informação” de massa, não vão desaparecer. O ser humano precisa de filtros sociais e, por isso mesmo, as pessoas seguem alguém no Twitter, porque elas precisam de um norte, elas gostam de ter líderes. Mas o filtro social não será tão conservador e arbitrário como antes, pois ele impede a inovação que a sociedade precisa. A descentralização traz filtros mais coletivos e colaborativos. Isso não resolve todos os problemas do mundo, mas torna mais democrático e eficiente.

Em 1980 já se falava que a gente mudaria o padrão de consumo a partir do momento em que quiséssemos compartilhar. As pessoas têm necessidade de suprir uma extensão do seu EU. Pessoas que gostam de ler amam ter bibliotecas em casa, isso os representa; mas hoje em dia as pessoas suprem esse EU com Ipad por exemplo, como parte da identidade delas.

Na Internet as pessoas deslocam o significado do que elas mesmas são e se transformam, tornam-se outra pessoa, pois criam um ideal de si mesmo. Reclamam de uma causa Online, mas não defendem a mesma causa com ações e atitudes práticas na vida Offline. Isso ocorre porque ainda estamos aprendendo a viver essa transição Offline/Online. Mas as gerações futuras enxergarão com mais clareza, pois já nascem conectadas.

O consumidor ainda não percebe a incoerência nisso, pensa como coisas separadas: por enquanto, o que uma pessoa é na vida real, não precisa ter nada a ver com a imagem que ela passa de si mesmo no Facebook. As pessoas não sentem como se estivessem se desmentindo ou contradizendo, porque nossa cultura ainda está se acostumando com a ideia de que não existe essa separação de mundo virtual e mundo real. No futuro próximo, o mundo real e o virtual serão parte de uma coisa só, ou melhor, o virtual será usado para reforçar o real, como ferramenta que dará voz às pessoas.

Ainda, quando reclamamos com uma empresa e recebemos uma resposta absurda pensamos: “Bom, pelo menos respondeu, outras nem respondem” e, claro, acabamos deixando para lá. Mas a cultura e a exigência do consumidor está mudando e, no futuro próximo, coisas assim serão inaceitáveis. Ser socialmente responsável, por exemplo, é uma modinha nas empresas, mas ainda não é uma prática real. Logo o consumidor vai perceber e cobrar por essa incoerência.

Mesmo que hoje ainda não existam empresas com essa visão de marketing e de sociedade em rede colaborativa, essa é uma visão estratégica de para onde o mundo está caminhando. Essa transição vai acontecer.

Temos que aprender a pensar e a achar soluções com vistas para esse tipo de sociedade para a qual estamos caminhando e não apenas usar ferramentas. Temos que criar conceitos para avançar na realização prática de ações que façam a diferença. Sermos agente de mudança!

As empresas ainda não contratam e não estão prontas. Mas é uma nova era, é uma revolução cognitiva, porque com a troca de ideias e muita informação, não dependemos mais de um filtro ou de uma babá que nos diga o que ler, o que comprar, o que assistir ou em que acreditar. Hoje nós escolhemos, assim como a revolta protestante deu direito de ler a Bíblia para as pessoas na época de Gutemberg, porém agora as revoluções são bem mais rápidas.

Nós ainda não entramos na mudança filosófica, ainda pensamos que a empresa tem que dar lucro, o que é uma aberração ética e deixa o consumidor numa situação complicada. Mas o consumidor está tendo mais noção do seu poder.

O profissional do futuro será quem planejar ações que gerem lucro real para a empresa e valor ao consumidor, que pense e não apenas opere ferramentas quase que lúdicas, mas sem retorno significativo.

 

Para entender um pouco sobre como se gera valor, recomendamos a leitura de Gestão de Redes Sociais.

Esse texto contém conceitos e falas de Carlos Nepomuceno, para saber mais sobre ele e ter acesso a muito conteúdo interessante visite os links: http://nepo.com.br/author/cnepomuceno/, http://nepo.com.br/ e http://webinsider.uol.com.br/author/carlos_nepomuceno_nepo/

 

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